sexta-feira, 10 de abril de 2015

Miguel Castro: “Primeiro lugar está acima das expetativas”

Opinião: 
Por: Ricardo Castro

Depois de vários anos ao serviço do clube como jogador, Miguel Castro regressou ao Arões em dezembro de 2013 para treinar o escalão de juniores. Com ele, o irmão Marcos seguiu o mesmo caminho e é, desde então, seu adjunto. Até ao fim da última época, a equipa foi dos últimos lugares até ao nono posto no campeonato. Quase ano e meio depois de assumir o comando, e com um plantel praticamente novo para 2014/2015, os aronenses estão isolados no primeiro lugar, na melhor temporada de sempre do escalão nas provas distritais. O momento é positivo. A subida está à espreita. E o título também. Entre a importância da aposta do clube na formação, Miguel Castro não esconde o objetivo do primeiro lugar e da promoção, mas fala em mais metas a alcançar.

Que objetivos tinha o Arões quando iniciou a época?

MC: Os objetivos de época que a equipa técnica definiu passavam por reunir as peças que escolhemos, os jogadores e conseguir criar um grupo coeso, com identidade própria. Foi construir um plantel quase novo. Poucos jogadores transitaram da equipa de juniores do ano anterior e não é fácil criar rotinas e hábitos quando se muda tanto. Mas sempre acreditamos no nosso trabalho e esse foi sem dúvida um dos principais objetivos. Com o decorrer do trabalho, com o conhecimento mais profundo da equipa, outros objetivos foram naturalmente surgindo. Mas penso que é um processo natural em qualquer grupo de trabalho que tem vontade e capacidade para evoluir.


O primeiro lugar está acima das expetativas?

MC: Se esta pergunta fosse feita em junho de 2014, altura em que a equipa técnica começou a preparar esta época, a resposta é afirmativa. Apenas contávamos com seis elementos que transitavam da equipa anterior de juniores, com cinco que subiam do escalão de juvenis e 14 jogadores novos que não representavam o Arões. Após esse mês, fundamental para podermos avaliar alguns dos novos jogadores que vieram prestar provas, tentamos convencê-los a ficar no clube nesta nova época. Conseguimos 90% dos jogadores que escolhemos e aí, já com o grupo delineado, tivemos sempre uma meta para nós, que se baseia em acreditar no nosso trabalho como treinadores, nas nossas regras, na nossa filosofia e na vontade de sermos cada vez melhores. Transmitindo isso, sempre acreditámos que se os jogadores colocassem o grupo sempre acima do individual, tudo poderia acontecer. Trabalhando nos limites treino após treino, jogo a jogo, temos sempre a certeza que podemos disputar os três pontos com o adversário. Claro que isto tem implicado muito trabalho, muitas dificuldades, mudança de comportamentos e atitudes, tanto por parte dos jogadores como da equipa técnica. Um dos exemplos para a equipa técnica passou por ir ver jogos dos adversários, pois só assim poderemos conhecer antecipadamente algumas das suas características e preparar estratégias para os jogos, sem colocar em causa a nossa identidade como equipa. Tudo para dizer que o primeiro lugar está acima das expectativas, mas não para nós treinadores e jogadores, porque o grupo que criamos e fomos unindo a cada semana de trabalho, foi-se tornando cada vez mais forte e coeso, focado na vontade de criar uma mentalidade vencedora. Apesar de faltar muito campeonato e muitos pontos em disputa, ainda é cedo para fazer um balanço final. Mas olhamos para trás e, apesar de termos a noção que temos ainda aspetos a melhorar, sabemos que estamos no caminho certo e que esta posição na tabela classificativa, até ao momento, é inteiramente justa.


O ciclo recente de três jogos sem vencer abalou a confiança da equipa?

MC: Quem olhar para a nossa primeira volta, poderá simplesmente ver que tivemos 12 vitórias consecutivas, apenas perdemos um jogo e conseguimos 13 vitórias. Se fosse avaliar assim, era admissível que pudesse pensar na perda de confiança do grupo. Mas o futebol não se pode ver assim, pelo menos para nós, equipa técnica. Temos que ser justos e afirmar que cada vitória foi construída com muito trabalho, um espírito incrível do grupo com uma capacidade enorme de se adaptar às características com que nos íamos deparando, e com uma mentalidade vencedora que se traduzia também numa equipa ganhadora. Mas também temos de reconhecer que algumas destas vitórias tiveram também a chamada “estrelinha da sorte”, que na nossa visão veio de toda a dedicação, entrega e união do grupo. Partindo desta breve avaliação, temos a plena consciência que no futebol não se ganham todos os jogos. Existem muitas variáveis que podem interferir. Uma delas e a principal, é que disputamos jogos contra outras equipas que têm a mesma legitimidade em disputar os três pontos. Serve-nos aproveitar para evoluir ainda mais e retirar aprendizagens importantes para o futuro, pois a formação é um momento fundamental para ensinar, instruir, treinar e adquirir ensinamentos que serão a base para o próximo passo que os jogadores vão dar, assim como para nós treinadores. Esse ciclo (de três jogos) faz parte uma longa jornada que é um campeonato. Não podemos colocar em causa todo o trabalho semanal, nem tudo aquilo em que acreditamos. Analisamos no momento e no local certo e seguimos sempre fiéis aos nossos princípios, tendo sempre como meta o trabalho, o compromisso do grupo e a vontade em criar uma mentalidade vencedora. Assim estaremos sempre mais próximos de obter resultados positivos.


A vitória diante do Celoricense foi o tónico ideal para a reta final do campeonato?

MC: A equipa técnica sempre acreditou no seu trabalho, nos seus princípios e no grupo de jogadores que fazem parte o plantel. E como o grupo está comprometido consigo próprio, sabíamos que os resultados positivos voltariam a aparecer. Especificamente neste jogo, uma mensagem especial à equipa de juniores do Celoricense, que por motivos internos tinham solicitado o adiamento do jogo, mas que não foi possível ceder por questões de compromissos do clube. Tive a oportunidade de no final ir ao balneário deles dizer que a nossa vitória teve dignidade pelo esforço que eles fizeram para poderem estar presentes.


Qual o segredo de resultados tão positivos?

MC: Independentemente do que irá acontecer até final, podemos considerar que tem sido uma época positiva. Quanto ao segredo dos resultados, já tenho vindo a falar, é sermos fiéis a nós próprios, termos noção das nossas capacidades e das nossas limitações, seguirmos a nossa ideia, estarmos comprometidos e acima de tudo existir plena sintonia e confiança entre a equipa técnica. Só assim se forma um grupo unido, que traça um caminho e todos o seguem. E só assim o próprio grupo ultrapassa as adversidades que vão surgindo ao longo do seu percurso.


A aposta do clube na formação ajuda?

MC: Os clubes vivem mesmo da formação, ou deveriam. Gostava de lembrar que, da equipa de juniores do ano passado, cinco jogadores fizeram a pré-época com os seniores e destes apenas um, por motivos profissionais, não continuou. Se isto é a resposta de que há uma aposta na formação por parte do clube, acredito que sim. Assim como acredito que o clube está no caminho certo, pese embora ser cedo para nos compararmos a outros clubes que já têm tradição com a formação. Mas isso faz parte do crescimento e dos passos bem assentes que o clube está a dar. Espero que o rumo que o clube traçou seja o do seu crescimento, criando alicerces numa base de sustentação própria que a formação pode proporcionar e assim se poder olhar com compromisso para o futuro do clube, com confiança que está no rumo certo.


Faltam seis jornadas para o fim da prova. A subida é um objetivo assumido?

MC: A subida não é um objetivo assumido agora que faltam seis jornadas. Esse objetivo nasceu e foi-se desenvolvendo no grupo de forma natural ao longo do nosso percurso. Mas o nosso trabalho não termina aí. É um dos objetivos e posso garantir que temos mais metas que queremos alcançar. Por exemplo, ainda há jogadores que reclamam mais oportunidades. Temos ainda a meta de sermos a melhor defesa e o melhor ataque do campeonato, preparar os jogadores para a próxima época conforme o rumo que alguns vão traçar e outras metas mais direcionadas para o grupo. É preciso ter consciência de que no futebol, se falarmos em termos de conquistar títulos por parte dos clubes, a taxa de insucesso supera em muito a taxa de sucesso. Só uma equipa é campeã, todas as outras não o são e se multiplicar este facto por épocas e épocas, constatamos que este ciclo de conquista pode levar anos a acontecer, daí que os nossos objetivos não se findam em sermos campeões. É, antes, uma das metas que fomos criando, através de numa mentalidade vencedora do grupo, pois só assim poderemos ganhar em momentos da vida. Mas uma coisa não implica a outra. Considero ser mais importante um espírito vencedor que ganhador e quando conseguimos conciliar estes dois fatores, atingimos patamares de plenitude e aí surgem novas metas, novos patamares de responsabilidade e de dificuldade, onde o espírito vencedor tem que se manter sempre, mesmo que não se ganhe.


Nesse ciclo, duas vitórias garantem o título. É uma meta a atingir?

MC: Neste momento faltam-nos disputar seis jogos. Para nós, equipa técnica, isso traduz-se em 18 pontos para conquistar. Repare que há equipas ainda com 21, 24 ou 27 pontos para disputar. Ou seja, a matemática apenas servirá para confirmar factos, a classificação final. O nosso ciclo é o campeonato, que se vai fragmentando em jogos e cada jogo é para ser disputado de mesma forma, com o mesmo espírito, com o mesmo compromisso. O cumprimento das nossas metas será avaliado no final, porque até agora ainda não ganhamos nada. Reconhecemos que estamos bem posicionados para alcançarmos essa meta, mas não podemos abrandar, nem deixar de lutar por cada ponto que ainda podemos conquistar. 
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